10 jogos de rua em vias de extinção 1

As brincadeiras de rua marcaram a nossa infância. Lembro-me bem de esperar ansiosamente pelo toque do recreio para correr que nem louca da sala de aula e aproveitar até ao limite aqueles 15 ou 30 minutos numa Sirumba, Elástico ou Macaca. Aqui fica uma lista de 10 jogos de rua em vias de extinção, que muitas crianças da geração “iPad-Playstation-Wii-Xbox-e-afins” já nem devem saber o que significa.

 

10. Ioiô

10.YoYoTal como o pião, quem nunca experimentou o famoso “Ioiô”? Este é um dos mais antigos brinquedos existentes. A palavra vem do filipino e quer dizer “volte aqui”, e na verdade é mesmo isto que faz. Como é que tal objecto, com 2 discos unidos por um eixo, onde se prende uma corda, e que sobe e desce, teve o sucesso que teve? A verdade é que este jogo ia ficando cada vez mais divertido, quanto mais “expert” nos tornássemos na matéria do lançamento do ioiô e nos respectivos efeitos para impressionar a família e amigos: o efeito “balança”, “vai e vem”, “trapézio”, “passeio cãozinho” são alguns exemplos. Escusado será dizer que as minhas horas de treino eram passadas fora de casa pois o inofensivo ioiô podia tornar-se numa mortífera e impiedosa bala para a cristaleira de Atlantis e Vista Alegre lá de casa!

9. Macaca

09.MacacaCom um pau de giz e uma pedrinha fazia-se a festa. Desenhava-se no chão vários rectângulos (casas) conforme a figura ao lado e passavam-se umas belas horas a atirar a dita pedrinha, a caminhar em pé coxinho para apanhá-la em equilíbrio num só pé e a regressar também em pé-coxinho. Em algumas casas podiam ser colocados os 2 pés em simultâneo (as que tinham 2 quadrados lado a lado), outras só podia ser num pé. Ora aí está um belo exercício que poderia dispensar algumas horas de step ou spinning (e bem mais barato). Alguém quer alinhar?

8. Pião

08.PiãoAinda devo ter lá por casa dos meus pais este objecto de madeira afunilado e com uma ponta em metal. Uns simples, outros coloridos, este jogo poderia ser partilhado com quem quisesse. Bastava que tivessem um pião, uma corda para o fazer girar e algo para desenhar um círculo no chão. O objectivo era deixar girar um pião no círculo e correr com os piões dos outros para fora desse espaço. De facto era necessário alguma perícia de mãos (que confesso que nunca tive). Ainda assim, ainda bem me lembro de tentar atingir recordes do tempo em que o pião ficava a rodopiar. Não convinha muito ser em casa sob pena do chão de ficar com uns relevos esquisitos e a Mãe ficar colada ao tecto. Algo tão simples e como pegou durante décadas a fio.

7. Malha

04.MalhaConfesso que não sabia a história deste jogo e portanto, nada como “wikipediar”. Para verem como este jogo é velhinho, remonta ao tempo em que se começou a colocar ferraduras nos cavalos do exército romano. Para ocupar o tempo, os soldados lá acharam piada a atirar tais ferraduras com o objectivo de derrubar ou chegar perto de um pau. Mais curioso ainda é que, em Portugal, o nome mais popular é “chinquilho”. Daí o verbo verbo “achincalhar”, que significa ridicularizar/rebaixar/humilhar, pelo facto deste ser um passatempo tradicional das classes mais desfavorecidas. No meu caso, só o conheço enquanto “malha” e não faz parte do meu currículo, apenas assisti a alguns jogos quando ia de férias à terra dos avós. E havia autênticos mestres, geralmente carecas ou de cabelos brancos, na arte do “malhar” ou “achincalhar” (no bom sentido da palavra).

6. Escondidas

06.EscondidasEste jogo das Escondidas era tanto mais divertido quanto maior o potencial de esconderijos a área tivesse. Era um clássico nos recreios e nas festas de aniversário dos amigos. Claro que quase ninguém queria ficar no papel de contar alto até 100 virado contra uma parede ou árvore e depois ter que “ir á cata” dos amiguinhos escondidos. Mas enfim, tocava a todos. Terminada a contagem lá esse jogador tinha que anunciar o início das buscas com um sonoro “AÍ VOU EU” e todos os outros ficavam que nem múmias nos seus esconderijos. Nunca a palavra “coito” foi tão inocente como a simples chegada vitoriosa do jogador que estava escondido ao posto inicial, sem ser apanhado no trajecto. Caso conseguisse tal proeza, podia dizer “1,2,3 salvo xpto” (xpto = nome do amigo/amiga que estivesse naquele momento no top do seu ranking de amizade ou quiçá algo mais) ou, se fosse do género altruísta: “1,2,3, salvo todos!”.

5. Salto ao eixo

05.Salto ao EixoMuito embora ficasse traumatizada para todo o sempre com este jogo, pois valeu-me uns belos pontos no queixo na 3ª classe, não poderia deixar de o mencionar. Fazia parte de algumas aulas de ginástica mas muitas crianças se divertiam a saltitar por cima de um(a) coleguinha que amochava o tronco para a frente, apoiava bem as mãos nas pernas e virava a cabeça para baixo. Se era necessária alguma agilidade para saltar o dito “eixo humano”, se bem se recordam, quem estivesse amochado tinha quase que rezar 3 “Pais-Nosso” seguidos não fosse o próximo a saltar aquele(a) “mastronço(a)” desengonçado(a) que mais parecia uma “wrecking ball” (mas sem Miley Cyrus atrelada).

4. Saltar ao elástico

04.Jogo do ElásticoNão consigo pensar neste jogo sem lembrar-me de um episódio ridículo em que me engalfinhei com uma rapariga que, irritantemente, pôs-se a boicotar o jogo do elástico que disfrutava com as minhas amigas. Resultado: visitinha ao Conselho Directivo. Razão? Bem, uma “tronga-monga” meter-se no elástico alheio era coisa séria, não gozem! Este jogo, de tão simples e clássico que é, quase que dispensa explicação. Tinha que haver pelo menos 3 meninas (não querendo parecer sexista, não me lembro de ver rapazes aos saltinhos neste jogo), 2 das quais tinham que servir de “poste” para segurar o elástico nos tornozelos. A 3ª pulava sobre o elástico, ora só com 1 pé, ora com os 2, ao ritmo do “1,2,3…1,2,3…1,2…1,2”. Confesso que já não me lembro das respectivas músicas mas ainda me recordo que o grau de dificuldade ia aumentando à medida que o elástico ia subindo pelas “meninas-poste” (termo inventado agora mesmo). E com isto, muitas doses de energia e gotas de suor foram gastas.

3. Sirumba

03.SirumbaApenas coloquei nesta ordem pois na verdade só despertei para o mundo “sirumbiano” no 5º ano. E fiquei mesmo viciada! Passo a explicar: na Sirumba (também conhecida por jogo do polícia e ladrão) desenhava-se um rectângulo grande no chão, com seis quadrados lá dentro, divididos por corredores. Depois decidia-se quem era ladrão e polícia. Os polícias só andavam nos corredores e tinham que apanhar (com um toque apenas) os ladrões que saltavam de quadrado em quadrado. O ladrão tinha que passar por todos os quadrados até chegar à barra oposta que dizia “Sirumba” e voltar à base inicial. O primeiro ladrão que chegasse sem ser apanhado gritava bem alto “SIRUMBA” e ganhava o jogo. Agora que penso nisto, creio que foi uma bela preparação para os meus sprints matinais para apanhar o comboio.

2. Berlinde

02.BerlindesNo meu caso, também remonta ao tempo da primária, mas acredito que o jogo do berlinde já venha de “1900-e-trocó-passo”. Para começar, ter uma bela panóplia de bolinhas de vidro maciço, pedra ou metal, pequenas ou grandes, lisas ou às riscas, brilhantes ou opacas era uma emoção! Há imensas variedades de jogos do berlinde mas a que mais gostava era a das “3 covinhas”. O objectivo era tentar enfiar os berlindes, sucessivamente, nas 3 covas dispostas em linha recta. Quando se conseguisse chegar à última cova fazia-se o percurso inverso. À medida que ia concluindo estas etapas o jogador ficava com o direito de alvejar os berlindes dos outros, apoderando-se assim dos mesmos. E assim fui aumentando o meu espólio de berlindes lá de casa.

1. Jogo do Mata

01.jogo do mataCreio que foi uma das primeiras brincadeiras que joguei na primária. Quase que não existia limite de jogadores. Num campo dividido ao meio e com duas equipas de cada lado, o principal objectivo era eliminar os adversários com uma bola. O jogador na posse da bola tinha de lança-la em direcção aos outros jogadores e, se tocasse em alguém, estaria “morto” (ou não se chamasse jogo do “mata”). Claro que havia sempre aquelas alminhas que adoravam despejar toda a sua fúria naquele coleguinha irritante …pensando bem, até que não seria má ideia organizar este jogo nas empresas (chefes incluídos). Uhmm…e daí é melhor não aumentar ainda mais a taxa de desemprego

 

Esta Delica10a é da autoria da Margot, que apesar dos seus 35 anos bem compostos, não deixa fugir da memória as boas recordações da infância. Com crianças na família, é fácil observar que as brincadeiras de hoje não são as mesmas de há 20 ou 30 anos atrás. Por um lado há um sentido de insegurança maior em deixar os miúdos a brincar sozinhos na rua e por outro a tecnologia alterou substancialmente a forma como nos divertimos.

 

 

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Um comentário a “10 jogos de rua em vias de extinção”

  1. evely diz:

    Minha Nossa! Bem eu sou brasileira estava procurando algum indicio dessas antigas brincadeiras que ninguém mais conhece, não fazia ideia que o “3. Sirumba” era o que nós chamávamos de Pimball na minha rua/via( Não sei pq do nome). Fico muito contente por saber que se jogava ele por ai. Uma pena não ver mais crianças brincando mais disso, melhores tempos da minha vida.

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