10 personalidades no Panteão Nacional 1

A recente morte de Eusébio levantou uma questão que até aqui pouca ou nenhuma relevância tinha para os Portugueses – quais são os critérios para os restos mortais de uma personalidade ser aceite no Panteão Nacional? A lei 28/2000 que estipula quem pode ser homenageado desta forma é bastante abrangente – “as honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”. Encaixar nesta definição o Pantera Negra é um exercício de criatividade! Mas vejamos neste artigo quem são as 10 personalidades no panteão nacional actualmente (a ordem é cronológica). Fica também a nota que a Assembleia da República aprovou a transladação do corpo de Sophia de Mello Breyner Andersen para o panteão, a ocorrer ainda em 2014.

 

10. Almeida Garrett (1799-1854), transladado em 1966

10.Almeida GarrettDramaturgo, poeta, romancista e político, Almeida Garrett foi um inovador da escrita e da composição literária do século XIX. Foram as suas responsabilidades políticas que estiveram na fundação do Teatro Nacional D. Maria II e do Conservatório. Como romancista é considerado o criador da prosa moderna em Portugal e na poesia, é dos primeiros a introduzir em Portugal a nova estética romântica.

9. Guerra Junqueiro (1850-1923), trasladado em 1966

09.Guerra JunqueiroPoeta e político português, nascido em 1850, em Freixo de Espada à Cinta (Trás-os-Montes), Guerra Junqueiro é o grande representante de um romantismo social panfletário, influenciado por Vítor Hugo e Voltaire. Foi bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada “Escola Nova”. A sua poesia ajudou a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República.

8. João de Deus (1830-1896), trasladado em 1966

08.João de Deus RamosJoão de Deus de Nogueira Ramos foi um eminente poeta lírico português (considerado o poeta do amor), considerado à época o primeiro do seu tempo, e o proponente de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal por ele escrita, que teve grande aceitação popular, sendo ainda utilizado. Gozou de extraordinária popularidade, foi quase um culto, sendo ainda em vida objecto das mais variadas homenagens.

7. Óscar Carmona (1869-1951), trasladado em 1966

07.marechal_carmonaMarechal militar de Cavalaria foi uma das figuras de proa da conspiração política e militar que desembocou no golpe de 28 de Maio de 1926. Começou aqui a sua verdadeira carreira política, que o conduziu à oposição a Gomes da Costa e à ascensão, após a queda daquele general, à Presidência da República. A sua eleição significou um passo em frente na consolidação e institucionalização do novo regime, do qual esteve à frente (em “parceria” com Oliveira Salazar) até à sua morte em 1951.

6. Sidónio Pais (1872-1918), trasladado em 1966

06.Sidónio PaisFoi um militar e político que, entre outras funções, exerceu os cargos de deputado, de ministro do Fomento, de ministro das Finanças, de embaixador de Portugal em Berlim, de ministro da Guerra, de ministro dos Negócios Estrangeiros, de presidente da Junta Revolucionária de 1917, de presidente do Ministério e de presidente da República Portuguesa. Enquanto presidente da República, exerceu o cargo de forma ditatorial, suspendendo e alterando por decreto normas essenciais da Constituição Portuguesa de 1911. Fernando Pessoa chamou-lhe Presidente-Rei.

5. Teófilo Braga (1843-1924), trasladado em 1966

05.Teófilo BragaJoaquim Teófilo Fernandes Braga foi um político, escritor e ensaísta português. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, fixa-se em Lisboa em 1872, onde lecciona literatura no Curso Superior de Letras. Da sua carreira literária contam-se obras de história literária, etnografia (com especial destaque para as suas recolhas de contos e canções tradicionais), poesia, ficção e filosofia, tendo sido ele o introdutor do Positivismo em Portugal. Depois de ter presidido ao Governo Provisório da República Portuguesa, a sua carreira política terminou após exercer fugazmente o cargo de Presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915.

4. Humberto Delgado (1906-1965), trasladado em 1990

04.Humberto DelgadoParticipou activamente no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que conduziu mais tarde ao Estado Novo. Anos depois rompeu relações com o regime de Salazar, apresentando-se em 1958 como candidato à Presidência da República, tendo como opositor Américo Thomaz de onde saiu derrotado (apesar de nunca ter aceite os resultados). O “General Sem Medo”, como ficou celebrizado, teve de se exilar (primeiro no Brasil, depois na Argélia), nunca tendo no entanto deixado de dirigir acções contra o regime. Foi assassinado a tiro em 1965, perto de Badajoz, por um membro da PIDE.

3. Amália Rodrigues (1920-1999), trasladada em 2001

03.amalia_RodriguesFalecida há 15 anos, Amália da Piedade Rodrigues foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de mais longe levou Portugal. Serviu o país como “embaixadora” de Portugal durante quase toda a sua vida! Teve ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill. Até a sua morte, 170 álbuns haviam sido editados com seu nome, vendendo mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

2. Manuel de Arriaga (1840-1917), trasladado em 2004

02.Manuel de ArriagaDe origem Açoriana, foi um reputado advogado, professor, escritor e político. Grande orador e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de Agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de Maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que como substituto completou o tempo restante do mandato.

1. Aquilino Ribeiro (1885-1963), trasladado em 2007

01.Aquilino RibeiroFiccionista, autor dramático, cronista e jornalista Ligou-se ao movimento republicano e interveio activamente na revolução, chegando mesmo a ser preso. Chamaram-lhe mestre, “o poderoso Aquilino”, “um dos maiores prosadores da língua portuguesa”. Inicia a sua obra em 1907 com o folhetim “A Filha do Jardineiro” e depois 1913 com os contos de Jardim das Tormentas e com o romance A Via Sinuosa, 1918, e mantém a qualidade literária na maioria dos seus textos, publicados com regularidade e êxito junto do público e da crítica.

 

 

Artigos Relacionados:

A semana em 10 comentários de: Dom Fuas Roupinho
A semana em 10 comentários de: Constituição
A semana em 10 comentários de um Golfinho Dropinador
Os 10 melhores Tweets da Semana (2013.32)

Um comentário a “10 personalidades no Panteão Nacional”

  1. […] A recente morte de Eusébio levantou uma questão que até aqui pouca ou nenhuma relevância tinha para os Portugueses – quais são os critérios para os restos mortais de uma personalidade ser aceite no Panteão Nacional? A lei 28/2000 que estipula quem pode ser homenageado desta forma é bastante abrangente – “as honras do Panteão …ler mais […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

404